Esta manhã acordo às 6:00h em ponto, com o celular despertando, nada usual. Me viro pra um lado da cama, um beliche onde normalmente deveria estar na cama de baixo, porém há um tempo meu irmão mais velho (e único que tenho) vem dormindo unicamente na cama de baixo, fazer oquê, não tenho preferência.
Logo, aperto um botão, silenciando o despertador, daquela música que sempre me soa bem matinal de asian kung fu generation - mayonaka to mahiru no yume (nota: ouvir novamente hoje.). Me viro novamente pra a direita, encostando o corpo na parede e tornando a dormir.
Logo o celular volta a tocar, a música alta e o meu medo de acordar alguém de imediato me faz virar e pegar o aparelho, abri-lo e atender a ligação, pra depois então, ver na tela de quem se trata. ID SUPRIMIDO diz ele... Falo um alô sufocado pelo meu sono exacerbado e pelo meu inconsciente que teima em falar baixo pra não acordar ninguém. naquele transe profundo, num estado de inércia mental absoluta, nem mesmo sei o que estou a falar. (nota: TRANSE - "O estado de transe é esse grau de sono magnético que permite ao corpo fluídico exteriorizar-se, desprender-se do corpo carnal, e a alma tornar a viver por um instante sua vida livre e independente. A separação, todavia, nunca é completa; a separação absoluta seria a morte." segundo o site http://www.guia.heu.nom.br/transe.htm )
"a...lô..." nada. "a...lô...?..." nada... Deitado, de olhos já cerrados, fecho o flip do celular e quase volto a dormir, não fosse a vontade súbita de beber algum líquido possuinte de sabor (a citar: refrigerante, suco, refresco) e de imediato, a fulminante lembrança de que não havia nada parecido na geladeira, antes estivesse na despensa algum saquinho de refresco em pó (nota: "refresco em pó" também popularmente chamado por ki-suco na minha região) (vide: "ki-suco" antiga marca de refresco em pó vendida por aqui). Determinado a beber saja lá o que fosse, me desloco daquela aconchegante e acolhedora cama beliche até a cozinha, abro o freezer e pego um pote de sorvete de flocos, em estado de criogenia (nota: CRIOGENIA - Produção de baixas temperaturas que permitem, entre outras coisas, a hibernação dos seres vivos por longo tempo. segundo site: http://www.kinghost.com.br/dicionario/criogenia.html). Ao comer (tentar) 3 ou 4 colheradas do material, tampo o pote e o reponho no freezer. "Preciso beber alguma coisa!!" penso em meio àquele torpor matinal, são 6:20h.
Instintivamente, pego a chaleira e ponho a água que deposito do bebedouro gelágua pra esquentar. pego o maior copo que vejo em minha frente, e preparo os materiais. Vou fazer um café. Ao tomar a chaleira aquecida em mãos, observo uma lagartixa, estagnada numa das fendas-janela da parede(nota: fenda-parede que se asemelha à um buraco médio de combogó.)(nota: COMMBOGÓ - Chamado também de elemento vazado, é feito de concreto ou cerâmica e limita os ambientes sem impedir a entrada de ar. Foi inventado por três engenheiros-arquitetos brasileiros, na primeira metade do século, que o batizaram com a união de suas iniciais: Coimbra, Boeckmann e Góis. segundo site: http://br.geocities.com/andrepcgeo/dicionarioB.htm)(nota: os combogós foram criados inicialmente por pernambucanos e espalhados pelo nordeste. "criado no início da década de 30 pelos engenheiros pernambucanos Amadeu Oliveira Coimbra (CO), Ernest A. Boekman (BO) e Antônio de Góes (GÓ)" segundo site: http://www2.uol.com.br/JC/_1998/1904/cd1904g.htm).
Parado, fitando aquela lagartixa de porte médio, ainda sob parte mínima do transe do qual emergira (nota: agradecimento ao site "http://www.iltec.pt/mordebe/" por tirar minha crucial dúvida sobre conjugação do verbo "EMERGIR" no Pretérito-mais-que-perfeito), por um instante sai de minha sonolenta boca a interrogativa: "- Oi Sra. Lagartixa, quer tomar café?" relembrando o clássico e tão adorado por mim, conto da "Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll". A Lagartixa por um breve instante, torna seu olhar paleozóico pra mim, deixando-me ainda mais instigado a fazer outra pergunta para a mesma. (...) Nada pronuncio, ela vira a cabeça de volta à posição inicial, eu me viro pra o copo de vidro, faço meu café com um pouco de leite, ainda conservando muito do sabor do café, bebo... não agüento tudo, jogo 1/6 do café do copo na pia, deixo o mesmo lá e volto pro meu quarto.
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